Fundamentalismo e Democracia

A “SANTA INQUISIÇÃO” ISLÂMICA?

O mundo mudou radicalmente nas ultimas seis décadas, fruto do desenvolvimento tecnológico que atinge o cotidiano de todos através de adicionais de comodidade, utilidade e conveniência, antes considerados meramente de ficção - mudanças básicas que pela primeira vez acontecem numa rapidez espantosa dentro de apenas uma geração.

A geopolítica também não está sendo diferente com a queda do modelo soviético – comunista em toda a Europa do Leste, a ascensão do capitalismo burguês na China e principalmente o ressurgimento da influência Islâmica. De um aglomerado de nações aparentemente esquecidas no seu passado glorioso medieval, a cultura e a religião islâmica tem tido um crescimento exponencial inclusive no Ocidente e influenciado grande parte dos grandes eventos e mudanças dos últimos anos no cotidiano de todos – da Austrália ao Brasil, da América do Norte à Europa.

Não se pode classificar esta última mudança como evolutiva rumo a uma modernidade, pela peculiaridade dos objetivos deste movimento social e suas conseqüências. De certa forma estamos sendo transportados no tempo com a volta dos cismas, dos fundamentalismos culturais e dos rigores religiosos que caracterizavam certas dissidência dos califados por todo o Mediterrâneo, desde o século VII até o fim da Idade Média.

1. HISTORICO

Em 622 Maomé a figura central da religião, historia e cultura islâmica, funda o primeiro estado islâmico em Medina, cidade ao norte de Meca, na atual Arábia Saudita e vem a falecer em 632 A.D. Deixa como sucessores quatro Imãs (Herdeiros ou guardiões da fé):

- ALI – casado com a filha de Maomé – Fátima.
- Abu Bakhar - Umar - Uthman

Os Shiitas têm como ponto central de sua dissidência histórica, sua crença de que Ali deveria ter sido o primeiro califa (líder muçulmano) e que o califado deveria passar apenas para os descendentes diretos de Maomé, via Ali e Fátima, que governam junto com Umayad, sobrinho de Uthman. Com a morte destes, disputam a sucessão seus filhos Hussein (de Ali) e Yazid (Uthman) até a sangrenta batalha de Kerbala em 680, com a derrota e morte de Hussein (lembrada até hoje) e seus seguidores.

A linha sucessória direta de Maomé através de Ali e Hussein ficou extinta em 873 A.D. quando o 12º e último Imã (guardião da fé) Shiita, Al-Askari desapareceu aos quatro anos de idade. Os Shiitas até hoje não aceitam sua morte, que um dia ainda irá retornar. Ao longo dos anos a teocracia shiita criou um conselho de doze eruditos que por sua vez elegem o Imã supremo, como foi o caso de Rullolah Komeini, com dotes de infalibilidade ao modo geralmente atribuído ao papado, assim como a hierarquia, muito semelhante à Igreja Católica. Já os Sunitas matem uma semelhança com a Igreja Protestante, sem um clero formal – apenas juristas e eruditos que fornecem opiniões e orientações que, como seguidores de Yazid, aceitam os demais três Imãs sucessores de Maomé e seus descendentes como verdadeiros guardiões da fé.

Independente dos aspectos religiosos que os diferenciam se aprofunda nesta ocasião, a dissidência entre Shiitas e Sunitas, reside na crença para os Shiitas do retorno do 12º Imã, Al-Askari, desaparecido aos 4 anos de idade e a aceitação apenas da linhagem de Ali e Hussein como verdadeiros Imãs descendentes de Maomé – enquanto os Sunitas, seguidores de Yazid, aceitam também os outros 3 Imãs como sucessores de Maomé, assim como seus descendentes. Esta dissidência infelizmente se mostra tão feroz e sangrenta até hoje, mais forte até do que suas desavenças com o Ocidente e Israel. Em apenas um dia mais de 200 civis Shiitas foram mortos no bairro “Cidade Sadr” em Bagdá pela guerrilha sunitas. Analistas já estimam em mais de 50 mil os civis mortos nesta ‘guerra civil’ iraquiana, após a invasão americana.

Os Shiitas são maioria no Iraque, Irã e parte da Síria enquanto os Sunitas dominam os demais paises árabes. O frágil equilíbrio sectário no Iraque entre Curdos ao norte, Sunitas ao centro e Shiitas no resto do país, foi mantido através de sucessivas ditaduras militares, desde que os Ingleses criaram este estado nacional ditado muito mais pelos seus interesses do que pela realidade sócio-cultural e religiosa local. O mesmo ocorre no Líbano onde Cristãos maronitas partilham da sociedade e governo com shiitas do Hezbollah apoiados pela Síria e os Sunitas.

Tanto no Iraque como no Líbano, (com sucessivos assassinatos de lideres maronitas e sunitas) a situação política deve se agravar fruto justamente desta disputa que visa estabelecer primazia dentro do mundo islâmico, que passa até pela hostilidade a Israel com Hamás (Sunita) e ‘Hezbollah (Shiita) lutando pela primazia do terror fundamentalista suicida.

Historicamente, a cultura e a religião muçulmana se esparramam para o Ocidente a partir das populações da península Árabe e do norte da África, chamados pelos espanhóis de ‘mouros’ – uma designação mais popular para muçulmanos, árabes de pele mais escura. Por volta de 711, estas nações expulsam os Visigodos e conquistam a maior parte da península Ibérica, indo até a fronteira da França, brecados e derrotados na batalha de Poiter em 732 A.D. A península se divide em uma serie de califados, como o mais famoso – de Córdoba.

A chamada ‘Reconquista’ começa no século X e prossegue até 1212 quando a união dos reinos católicos sob a liderança de Afonso de Castela conquista boa parte da península, com a exceção de reino (califado) de Granada. Esta fase final ocorre em 1492 pelas mãos de Fernando de Aragão e Isabel de Castela que expulsam mouros e judeus, estabelecendo a ‘santa inquisição’ encarregada de manter a fé cristã ou eliminar os infiéis.

Nesta época a cultura islâmica se esparramava por todo o Mediterrâneo – norte da África, Península Árabe, Oriente Médio. O surgimento e sucessão do império Otomano, originário na Turquia, como liderança muçulmana, se estendendo até os Bálcãs e Cáucaso, a partir de 1299 até 1922.

As conquistas e retenção de Jerusalém inicialmente por Saladino e posteriormente por Suleiman, o Magnífico, a evolução cultural, técnica, medicinal e a liberdade religiosa durante a ‘Idade das Trevas’ trouxe uma sensação de igualdade e superioridade perante o Ocidente.

A incapacidade, as lutas internas e a falta de continuidade no progresso tecnológico, fizeram com que a partir do século XVII, o Ocidente tomasse a dianteira com a Revolução Industrial, até seu completo desmembramento ao final da 1ª. Guerra Mundial, quando então boa parte dos territórios passam a fazer parte de outros impérios – o britânico e o francês, já interessados no petróleo.

2. ISRAEL

O que hoje chamamos de Israel, na época romana se denominava Judea, uma das províncias do império, talvez a mais irrequieta especialmente quando os romanos impunham suas crenças e paganismo. Para os romanos, apesar do grande numero de comerciantes e eruditos por toda Roma, a Judea era ‘o Vietnã da antiguidade’ – sempre em revolta e de guerrilhas. O imperador Tito em 70 D.C. consegue conquistar Jerusalém (Masada só 3 anos depois) e as guerras continuam até 135 com a revolta de Bar-Kochba terminando com a dispersão da maioria da população por todo o império. Permanecem apenas algumas yeshivas (escolas) em Jerusalém e Safed.

Esta população cresce muito pouco e a região é palco de sucessivas dominações muçulmanas e cristãs – o período das cruzadas - até que a partir do século XIV faz parte do império otomano, que a partir da Turquia, domina grande parte do Mar Mediterrâneo, como visto acima.

No fim do século XIX, com a intensificação das perseguições no Império Russo (os Pogroms) pelos tzares e a cavalaria cossaca, abastados judeus ingleses e franceses (Rotschilds entre eles) começam a comprar terras em Israel, geograficamente conhecida agora como Palestina. Seus proprietários, senhores de terras feudais, moravam em Damasco ou Beirute, deixando os pântanos infestados de malaria ou as terras cheias de pedras e improdutivas a seus empregados.

O nome Palestina é originário – de “Philistea Syria” nome dado pelos gregos no século V A.C., referencia aos filisteus, povo helênico que por diversas vezes invadiu e se estabeleceu na região, fundando inclusive Gaza, Ashdod e Askalon. Em 135 d.C. o imperador romano após vencer a revolta de Bar-Kochba, muda nome da província de Judea para Philistea, adotando a conotação grega como modo de acabar com a cultura dos judeus. Foi adotada subsequentemente por Turcos e Ingleses quando dominaram a região com seus impérios.

Ao final da 1ª. Guerra Mundial, os ingleses agradecidos pela ajuda de cientistas judeus para a vitória, emitem a Declaração Balfour onde aceitam o estabelecimento de um estado judeu na Palestina, sem prejuízo à população local. Começa o mandato britânico da palestina com a derrota da Alemanha e seu aliado – a Turquia – que se estenderia até 1947.

Na mesma época nasce o ultra-nacionalismo árabe e islâmico com o Mufti (erudito islâmico capacitado a interpretar a lei islâmica – Shaaria – e editar decretos – fataawa) de Jerusalém, que ataca todas as colônias e populações judaicas, em atos de terror e guerrilha. Durante a 2ª. Guerra Mundial apóia os alemães e se refugia na Síria, então sob o domínio da França nazista.


Em 1947 com o fim da guerra e descoberta dos campos de concentração na Europa, as Nações Unidas fazem a pedido da Grã-Bretanha, a partilha da Palestina, criando dois paises – um estado judaico (Estado de Israel) e um palestino, sob o controle do recém criado reino Hashemita da Jordânia.

A proposta criava uma colcha de retalhos numa região onde viviam já 610 mil judeus e quase 1.2 milhões de árabes. Israel teria 8.800 km quadrados, e 350 mil árabes enquanto Jerusalém seria internacionalizada, fora de Israel e cercando 100 mil judeus.

O estado palestino teria 8.000 km quadrados e ainda conteria 10 mil judeus. Apesar de maior, grande parte do território judaico era o deserto de Negev.

No dia 15.5.1948, após a declaração de independência de Israel, os exércitos do Líbano, Iraque, Egito, Síria e Transjordania, invadem Israel para acabar por via de fatos, com a partilha que não concordam. O Mufti de Jerusalém pede a morte de todos os infiéis e declara ‘Jihad’ ou guerra santa. Em 1949 finda a guerra, com os exércitos árabes parcialmente derrotados e Israel sobrevive como estado, porem em fronteiras ainda inseguras. Jerusalém é dividida – ficando todos os lugares santos judaicos do lado jordaniano/palestino, sem a permissão de visita aos israelenses ou judeus do resto do mundo.

Os refugiados árabes que saíram de Israel no inicio das hostilidades – incentivados pelas nações e exércitos árabes, somavam na época 360 mil e se estabeleceram na margem ocidental do rio Jordão, na Jordânia, em Gaza, e eventualmente no Líbano e Síria. Nunca mais conseguiram retornar, somando hoje perto de 4 milhões que foram sistematicamente usados como peões na luta entre os países Árabes contra Israel, ora expulsos pelos próprios árabes de seus campos, ora exilados e nunca absorvidos até hoje.

Concomitantemente, 850 mil judeus foram obrigados a sair de estados árabes e muçulmanos (Etiópia e Irã) sendo que 90% destes foram morar em Israel. Constituem hoje a maioria étnica do país.

Exemplos começam em 1949 com a operação “tapete mágico” que em alguns dias trouxe por via aérea 50 mil judeus do Iêmen que nunca antes tinham sequer visto um avião, que acendiam fogueiras a bordo para se aquecerem!

Em 1984 Israel descobre que na Etiópia residiam descendentes de judeus da época de Salomão e da rainha de Sabá. O país viveu até 1995 uma verdadeira guerra civil com milhões de mortos inclusive por doenças e fome. Neste ínterim Israel ‘comprou’ a liberdade destes ‘falashas’ e em operações aéreas às escondidas conseguiu inicialmente trazer 15 mil e eventualmente quase 30 mil – Operação Salomão. Fazem parte hoje da sociedade israelense.

Outras guerras se sucederam na região – em 1956 quando o Egito nacionalizou o canal de Suez com apoio soviético, contra ingleses, franceses e israelenses. Em 1967 - a chamada ‘Guerra dos Seis Dias’ - quando mais uma vez Egito, Síria, Jordânia, Iraque e exércitos de mais pelo menos quatro paises árabes, com maciço apoio soviético (para dominar a região produtora de petróleo) declaram sua intenção de destruir Israel. Não existem na época qualquer área ou território sob dominação ou colonização israelense. Os objetivos nunca incluem a questão palestina mas sim o fim da presença ocidental no Oriente Médio.

Ao final desta guerra, Israel conquista finalmente fronteiras seguras (longe dos centros urbanos), com a margem ocidental do Jordão, as colinas de Golan e o deserto de Sinai.

De especial valor – a unificação de Jerusalém e sua abertura a todas as religiões e as colinas de Golan que finalmente liberam todo o norte do país, a Galiléia, para a produção agrícola, incessantemente bombardeada pela artilharia Síria. Até hoje a Síria não assinou tratado de paz com Israel, apenas um cessar-fogo.

Em 1973 ocorre a ultima guerra entre os países árabes e Israel - mais uma vez fortemente armados pela União Soviética: A guerra de Iom Kipur, quando o perigo nuclear começou a tomar forma no Oriente Médio.

Em 1977, pela primeira vez na historia um presidente Egípcio (ou árabe) visita Israel e o Knesset (parlamento), firmando acordo de paz e recebendo o Sinai de volta em troca do reconhecimento do direito de existência de Israel.

Os fundamentalistas islâmicos não perdoam e Sadat é assassinado em 1981, no Egito.

Em 1994 o então rei Hussein da Jordânia e Itzak Rabin, Primeiro Ministro de Israel, firmam acordo de paz entre os dois paises, pondo fim a décadas de conflitos, inicialmente na Casa Branca com a presença do Presidente Clinton.

Em 1995, os fundamentalistas e ortodoxos judeus não perdoaram e Rabin é assassinado. Os Presidentes Clinton, Hosny Mubarak (Egito) e o rei Hussein comparecem ao funeral.

 

3. A QUESTÃO PALESTINA

Desde o fim da 2ª. Guerra Mundial, já tivemos mais de 100 milhões de refugiados pelos diversos conflitos – Coréia, Vietnã, Camboja, Laos, Biafra, Angola, Nigéria, Costa do Marfim, Zimbábue, Kosovo, Bósnia, Chechenia – entre tantos outros. Os únicos que permanecem são os palestinos. Somente para eles foi criado pela ONU em 1949 uma entidade especial de assistência – a ‘Agencia das Nações Unidas de ajuda e trabalho para os Refugiados Palestinos no Oriente Médio’ – UNRWA, com um aporte anual que excede US$ 400 milhões adicionados às doações de paises árabes que superam US$ 1.2 bilhões por ano.

Os demais refugiados do mundo dependem de outro órgão da ONU – o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados – UNHCR (Sergio Vieira de Mello, morto em Bagdá).

Após sucessivas derrotas nos campos de batalha, inundados pelos petrodolares, as nações árabes partem agora para o guerra de informações onde utilizam as condições difíceis dos refugiados árabes como ponta de lança para algo mais importante – a disseminação do fundamentalismo islâmico.

Em 2000, Clinton, Barak e Arafat reunidos em Camp David, firmam proposta de paz que incluía a devolução de 95% da Cisjordânia e domínio de boa parte de Jerusalém. Arafat nunca assinou os acordos com medo de ter o mesmo destino de Sadat e comanda a 2ª. Intifada (revolta das pedras) desde seu quartel general em Ramalah na Cisjordânia.

Em 2005/6 Israel se retira da Faixa de Gaza, deixando a administração local e dos campos de refugiados para a Autoridade Palestina. Em especial a retirada traumática dos colonos israelenses de seus Kibutzim como Gush Katif, hoje totalmente abandonados.

Até hoje, os fundamentalistas palestinos, sob o patrocínio do Hamás, tem despejado mais de três mil foguetes caseiros ‘Kassam’ sobre as cidades em Israel como Sderot, apesar da retirada israelense.

Na realidade o conflito árabe – israelense é apenas a primeira trincheira de uma disputa de proporções infinitamente maiores entre o islamismo fundamentalista e o ocidente. As demandas de direito retorno dos agora quatro milhões de refugiados para Israel e Jerusalém como capital de um estado palestino, visam exclusivamente a eliminação de Israel do mapa do Oriente Médio.

Países Governo Extensão
( km 2)
População
(2001 est.)
PIB
(Bilhões)

22 Países Árabes - Total

Monarquias - maioria

13.486,861

292,400,267

$1.195,49

Israel

Democracia

20.770

5.938,093

$110,20

Árabes x Israel

 

649 vezes

49 vezes

11 vezes

 

4. O TERRRORISMO ISLAMICO – O ISLAMOFASCISMO.

Estamos diante de uma nova realidade, pois até poucos anos passados, o grande conflito universal se travava entre o capitalismo ocidental e o comunismo soviético e oriental e o terrorismo estava confinado a uma luta surda entre israelenses e palestinos. Não mais – o grande desafio hoje é entre o terrorismo islâmico fundamentalista e o ocidente, sem conotação econômica.

Existe uma luta interna extremamente forte entre os moderados islâmicos e os fundamentalistas islâmicos que têm como ideologia a violência extremista como uma jihad contra todos aqueles que não compartilham de sua visão radical. O governo Taleban do Afeganistão foi um bom exemplo de medievalismo e da anti – cultura Ocidental: supressão da democracia, liberdade, expressão cultural, do universalismo, da globalização em favor da teocracia ortodoxa - O mundo não está testemunhando um choque de religiões ou culturas, mas uma batalha entre modernidade e barbárie.

O nosso cotidiano está sendo afetado por este embate, em todos os setores: econômico, social, cultural – como esteve diante do nazi-fascismo sessenta anos passados.
- nos aeroportos,
- nas estações ferroviárias e de metrô,
- nos eventos esportivos, culturais e sociais,
- nos ônibus,
- nos shopping centers,

Israelenses vivem esta realidade desde 1949 – a síndrome do “Forte Apache”. Agora o mundo se juntou a esta realidade – de Londres a Madrid, de Bali a Nova Iorque.

Israel de ontem é o ocidente de hoje.

É emblemático o que disse uma psiquiatra sírio-americana na TV Al – Jazeera (a CNN árabe): 'Os judeus saíram do Holocausto e obrigaram o mundo a respeitá-los com seu conhecimento, não com seu terror; com seu trabalho, não com seus choros e gritos.' - 'Não vimos um único judeu explodir-se num restaurante alemão. Não vimos um único judeu destruir uma igreja. Não vimos um único judeu protestar matando pessoas. Somente os muçulmanos defendem suas crenças queimando igrejas, matando pessoas e destruindo embaixadas. Os muçulmanos precisam se perguntar o que eles podem fazer pela humanidade, antes de pedirem para a humanidade respeitá-los.' Pouco depois da transmissão, clérigos na Síria a denunciaram como infiel. Um disse que ela causou mais danos ao Islã que as charges dinamarquesas zombando de Maomé.

Vivemos assim um estado de terror semelhante ao da “Santa Inquisição” – nada pode ser publicado sobre Maomé, Islamismo que não corra o risco de resultar em ameaças, mortes e distúrbios que se iniciaram com os decretos de Komeini contra Rushdie (‘Versos Satânicos’) e recentemente atingiram as charges dinamarquesas. (embora o reverso seja admissível e praticado).

No mundo islâmico, os muçulmanos são sempre vitimas do ocidente. Entretanto, é o ocidente que ajuda quando é necessário, do Tsunami, da Bósnia, na Somália e Afeganistão. Quem apoiava o regime Taleban? Arábia Saudita, Paquistão e Emirados Árabes. O único fator de união entre os paises islâmicos parece ser a disputa com o ocidente.

O mundo islâmico vive um grande dilema. De um lado temos uma minoria dos fundamentalistas que pretendem criar um império ao estilo otomano, por todo o Oriente Médio, norte da África, dominando desde o golfo Pérsico até Gibraltar. Para tal tem que derrubar as monarquias absolutistas e os governos estabelecidos como Egito e Líbano, enquanto de outro lado, a maioria moderada e não violenta ou armada, quer trazer a modernidade a suas sociedades.

As possibilidades infinitas de causar danos e dor ao Ocidente por este terror fundamentalista, dão um sentido de orgulho e poder às grandes massas árabes, substituindo o complexo de inferioridade sentido até bem pouco tempo, fruto da estagnação socioeconômica, militar e política do mundo islâmico – sua falta de democracia, crescimento econômico e liberdade de expressão.

A frustração das populações árabes que vivem sob monarquias absolutistas mesmo depois do ‘boom’ do Petróleo e da OPEP, garante o sucesso deste objetivo fundamentalista, que como uma epidemia se espalhou também pelas comunidades islâmicas no Ocidente, de imigrantes discriminados, de menor poder aquisitivo em boa parte da Europa, América do Norte e até Austrália.

Este fundamentalismo também se expressa no rigor dos costumes, das vestimentas, no papel das mulheres até os hábitos alimentícios, culturais, educacionais e de lazer, como forma de superioridade moral sobre as desvantagens frente ao desenvolvimento e a tecnologia ocidental.

Como sempre ocorre na historia humana, esses fanáticos são peões no jogo dos grandes interesses. Jihad Islâmica, Hezbollah e Hamás são apoiados pelo Irã shiita que tem pretensões nucleares e de centro do universo islâmico, junto com a Síria que procura estabelecer seus domínios sobre o Líbano, o Paquistão que receia o gigante Hindu e o Emirados Árabes que pretendem apenas continuar vivos e ricos.

Os sunitas têm também sua facção fundamentalista no Waabismo nascido na Arábia Saudita. Seus clérigos têm até um ministério da Fé e dos Bons Costumes, cuja policia patrulha Shopping Centers à procura de infratores (as) que quando encontrados são humilhados em público. Ocidentais são evidentemente obrigados a seguir estas normas medievais quando em visita ou estadia nos paises Islâmicos, reciprocidade que não existe na Europa onde a disseminação destes costumes rígidos nas comunidades minoritárias islâmicas tem sido motivo de tensão com o universalismo das sociedades e governos locais.

A dinastia Ibn-Saud fez a mais de 200 anos um pacto para se manter no poder e assim fundar o que hoje é a Arábia Saudita. De uma tribo de príncipes beduínos (que alimentam profundo desdém pelos palestinos) conquistaram Meca, Medina e o Haj – a peregrinação obrigatória à Kaba por todos os muçulmanos, da mão dos turcos e depois dos ingleses. Este pacto com os clérigos Waabitas, deu credibilidade moral e popular ao novo país porem instalou as obrigações fundamentalistas, especialmente as ‘Masdras’ – escolas de fundamentalismo islâmico.

Invadir o Iraque ou Afeganistão é pura perfumaria, jogo de cena. A verdadeira fonte do terrorismo islâmico fundamentalista é a Arábia Saudita com seus tentáculos nos Emirados Árabes e Paquistão. São seus petrodolares que financiam a parte operacional com a propaganda Waabi de ensinamentos de ódio ao ocidente.

A casa de Ibn-Saud sabe de sua precariedade política no longo prazo – talvez no máximo 10 anos. Procura assim se garantir, amealhando o máximo de capital possível, pagando um custo que está se tornando proibitivo para o Ocidente, para então ceder seu lugar – a uma democracia secular ou a uma ditadura teocrática.

O ocidente sabe disso, mas prefere encarar o terror como um custo adicional por cada tanque de gasolina sem entender que a praga do terror islamo-fascista só pode ser derrotada quando sua fonte secar – Ryad e os Al-Saud. Para contrabalançar a invasão do Iraque eles tem despejado milhões no Hamás e na Jihad Islâmica – fazendo inclusive arrecadações na TV para os terroristas suicidas.

É contra a lei americana a doação de dinheiro a grupos terroristas – dezenas de milionários sauditas podem ser presos e processados, o que não ocorre pois poderia significar a retaliação Ibn-Saud em termos de altos preços da gasolina que não elegem ninguém, mesmo depois de 11/9.

Aonde existem atritos no mundo atual, tem dinheiro saudita e propaganda/teologia Waabita – Afeganistão, Líbano, Jordânia, Síria, Chechenia, Bósnia e com os Palestinos. No Iraque, 85% dos terroristas estrangeiros presos, são sauditas!

De dominadores a reféns – é assim que grande parte do mundo Ocidental se sente hoje, afetando transporte, turismo, economia, hábitos e tendências – em aeroportos, metrôs e até pontos de ônibus.

Como dizia Winston Churchill nunca se deve alimentar um crocodilo – ele acaba comendo a mão. A BBC não se cansa de defender o terror palestino e islâmico – Seu repórter Alan Johnston ficou seqüestrado por 75 dias em Gaza. O prefeito de Londres Ken Livingstone esteve até afastado de seu cargo por anti-semitismo e apoio explicito ao terror palestino: As bombas nos ônibus e metrô em 2006 foram seu premio.

O sindicato dos professores universitários ingleses decretou boicote à academia israelense (!). As bombas nos aeroportos de Londres e Glasgow foram as respostas fundamentalistas islâmicas.

“O inimigo mortal da modernidade, da democracia é o radicalismo islâmico que tem a capacidade viral de utilizar todas as ferramentas da globalização: televisão via satélite, telefonia celular, a WWW, vídeo digital portátil, a redução das distancia pelo transporte aéreo, para punir e aterrorizar o ocidente”.

O grande desafio é o de ter a coragem de enfrentar esta nova forma de fascismo sem recuar ao estilo Chamberlain, indo atrás das verdadeiras fontes, mesmo que a um custo econômico alto. Ao mesmo tempo evitar uma reação negativa fora de proporções, a tudo que possa ser associado ao Islamismo, uma verdadeira ‘islamofobia’, semelhante aos tempos das Cruzadas.

Certamente a perspectiva da bomba atômica Islâmica pelo Irã seria o passo apocalíptico, devido a esta busca de uma ultrapassada superioridade global com o ocidente e também domestica (shiitas e sunitas), numa teologia que idolatra a morte tornando sem efeito qualquer resposta tradicional e moderada.
É a irresponsabilidade daqueles que abertamente defendem a destruição pura e simples de nações democráticas e laicas, não islâmicas (Mahmoud Ahmadinejad – presidente do Irã).

Ninguém também acreditava em Hitler e seus discursos até 1938.

Esta nova guerra se desenrola fora dos campos de batalha – nas redes de noticias, nos noticiários globalizados e na propaganda diária.

(Tuvia Grossman, de 20 anos, americano de Chicago, estudante na Universidade Hebraica de Jerusalém, usado erroneamente como palestino em sites e propagandas anti-judaicas).

(Jornalistas cobrindo tanto a Guerra no Líbano como na Faixa de Gaza, são obrigados a passar por censura do Hezbollah e Hamás e é comum ‘programarem fotos’).

Roberto Musatti
rmusatti@uol.com.br
rmusatti@msn.com.


Fonte: AVEC


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